Sarau Literário Impressões acontece neste sábado, na Floresta | SUPER NOTICIA

Sarau Literário Impressões acontece neste sábado, na Floresta

Para marcar o retorno das atividades presenciais da editora Impressões de Minas e a retomada do Espaço Impressões, localizado na Floresta e conhecido do público literário por oferecer cursos, promover lançamentos e feiras literárias, acontece neste sábado, a partir das 13h, o Sarau Literário Impressões, que reunirá autoras e autores em um lançamento coletivo. Nomes como Mario Alex Rosa, Jovino Machado, Ana Paula Dacota, Wagner Moreira, Mário Vinícius, Rafael Fares e Rafael Fava Belúzio, entre outros, estarão presentes, lendo não só seus próprios poemas, como os de colegas. Não bastasse, cada um dos convidados também produziu um poema especialmente para o dia – ao fim, todos servirão de base à produção de uma plaquete que será impressa ali, em loco. A plaquete ficará, pois, como um marco do evento.

Além do Sarau, a editora tem outros planos para breve. Ainda em maio, vai oferecer os cursos de “Edição e Produção de Livros”, com Elza Silveira e Wallison Gontijo, nomes à frente da Impressões de Minas, e o curso “Poesia pela Boca: Oralidade e Videopoesia”, com Pedro Bomba. Também está prevista para maio a realização de mais uma edição da Urucum, feira de livros e artes gráficas, que reunirá artistas, editoras, coletivos e escritores independentes. Para falar mais sobre os projetos do ano, a reportagem do Magazine conversou com Wallison Gontijo. Confira!

Como foi o advento da pandemia para a Impressões de Minas?
Veja, para 2020, a gente tinha feito um planejamento de (lançar) uns tantos livros, se não me engano, 40, 50 títulos, o que, teoricamente, nem é tanto assim em se tratando de volume, mas, para a nossa realidade, já era muito: a gente vinha publicando 25, 30 livros. Quando veio a pandemia, eu e Elza, a minha sócia, nós tivemos que fazer outro planejamento para nos adaptarmos àquela realidade. Não foi fácil, como imagino que não tenha sido para nenhuma pequena editora. Vale lembrar que as livrarias também enfrentaram muitas dificuldades naquele momento, então, tivemos que repensar tudo. Um momento de enxugar mesmo.

E este momento atual, meados de 2022, com os índices favorecendo a retomada?
Vou confessar que a gente começou 2022 mais esperançoso. Todo mundo aqui já vacinado, com a terceira dose. Mas vamos devagarinho, com todo o cuidado necessário, mesmo porque, sabemos que nem todas as crianças já estão vacinadas, mas também com esse fôlego para voltar à ativa. E a primeira coisa que a gente pensou (para abrir a agenda) foi retomar os encontros que a Impressões de Minas tradicionalmente faz. Acho que uma das características da editora, sem dúvida alguma, é a coisa do encontro. Aqui, o livro se dá muito pela materialidade, os projetos editoriais conversam muito com essa pegada do livro mais físico, com a proposta de um livro instigante, o objeto do livro. Ter uma criaçao por cima do objeto no sentido de uma conversa entre texto e o livro mesmo, que o livro seja protagonista desse encontro entre o texto do autor e a materialidade.

Um dos projetos da Impressões de Minas para este ano é retomar as feiras, procede?
Sim, a Textura, por exemplo, este ano vamos voltar para (fazer) a 14ª edição. Agora em maio, possivelmente, vamos fazer a Urucum, que é um evento bem de livro de artista, livro-objeto, artes gráficas. Bem a coisa da arte no papel, de editoras que têm essa pegada de trabalhar o objeto-livro, com a questão do design, mais visual, vamos dizer assim. E tem a outra feira, a Curupira, que é direcionada ao público infantil, estamos pensando para o segundo semestre. Há, ainda, o Espaço Impressões, que vamos retomar, que também tem essa proposta de encontros. A Impressão de Minas, gente participa de feiras no Brasil inteiro, feiras de rua, em bibliotecas, feiras independentes. O livro da gente tem muito esse lugar do encontro. A nossa venda virtual, aliás, não foi tão legal assim nestes dois anos, porque uma coisa é pegar o livro, sentir como foi feito, ver como foi feito, os detalhes atribuídos a ele, e outra coisa é ver isso virtualmente. Não é a mesma coisa, no nosso caso. Então, tem até uma pesquisadora do Cefet, a Amanda Ribeiro, achei muito bonito, porque ela usou a Impressões de Minas como case da dissertação dela, e criou um, digamos, slogan, que é “fazer livros e promover encontros”. Achei bonito, captou o espírito, a proposta da editora.

Então, a gente, neste momento, está muito otimista neste sentido. Só de poder voltar a fazer as coisas. Acho que os livros começam a circular mais. Do início do ano para cá, a gente já´está conseguindo uma circulação maior, participamos de uma feira no Santa Tereza, que nos convidaram, e foi super legal. E do ponto de vista comercial, é muito importante esse espaço, porque, como disse, a gente se caracteriza muito com isso, o livro físico, que acho que tem a ver com o encontro mesmo. Pegar, sentir, discutir a edição, como foi fazer essa parte gráfica, como foi pensar aquela poesia junto com aquela capa. Tem sempre a ver com o diálogo. O encontro permeia os livros da gente, é uma coisa que está na nossa cabeça sempre: precisamos encontrar para falar do livro, para discutir, para dialogar sobre esse objeto, o conteúdo, como as pessoas podem sentir o livro, entender com é feito, entender o processo de edição.

Pode adiantar alguns dos livros que serão lançados este ano? Temos projetos bem legais, como o do Tarso de Melo, que deve sair por agora. Tem um livro da Isabel Wilker (filha de José Wilker e Monica Torres), que sai este ano também, tem um da Laura Colen, “Caruncho”, um romance bem bacana, que está na máquina agora, já passou pelo processo de texto e imagem. Vamos fazer uma edição do livro “Macário”, que é um clássico. E tem uns livros bem interessantes, sobre os quais ainda não posso falar, pois ainda estamos fechando contrato. Tem o “Formigas”, do Mário Alex Rosa, que foi lançado pela (extinta) CosacNaify, vamos reeditá-lo. Como disse, vamos retomar as feiras, voltamos a abrir o Espaço Impressões, para cursos, pensar o livro, fazer saraus, pensar outras linguagens da arte junto com a literatura e envolver o maquinário que a gente tem para que as pessoas possam entender melhor como é fazer esses livros. Resumindo, a ideia é um fomento ao livro mesmo, é para para que as pessoas se aproxime do pensar a edição e do fazer livro, a importância do livro na educação, todas as questões que envolvem o livro. Entender um pouco como é o ofício de fazer um livro é a principal proposta do Espaço Impressões.

Poderia falar especificamente do Sarau?
Então, agora, voltando, a gente pensou que nada melhor que fazer lançamentos dos livros que não puderam ter esses eventos de apresentação durante a pandemia, como do Mário Alex Rosa, Jovino Machado, Ana Paula Dacota, Rafael Fares e outros. E daí a ideia do sarau. Os poetas vão declamar poemas uns dos outros e deles próprios, a ideia do sarau é essa, fomentar a discussão poética. Cada um escreveu, para o evento, um poema e vamos fazer uma plaquete e imprimir na hora, e o público vai acompanhar como é isso, de imprimir poema. O evento vai das 13h às 18h, e, no final do dia, o livreto estará pronto, vai servir também de memória desse encontro.

Serviço
Sarau Literário Impressões

Neste sábado, 9, a partir das 13h
Onde: Rua Bueno Brandão, 80, Floresta
Entrada Gratuita

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