Comida di Buteco: De volta ao brinde 100% presencial | O TEMPO

Comida di Buteco: De volta ao brinde 100% presencial

Sob o tema ‘Buteco vive’ no cenário rumo à normalização, 22ª edição do concurso conta com 90 bares na disputa, sendo 39 estreantes

Resistência. Se pudéssemos resumir a vida de um boteco nos últimos anos em uma palavra, seria essa. As restrições impostas pela pandemia do coronavírus dificultaram e muito a vida destes lugares. O uso de máscaras, então, deixava impossível bebericar uma cerveja e comer um tira-gosto. Impossibilitava também o brinde de perto e, às vezes, debruçar-se sobre o balcão para trocar uma ideia com o dono do bar. Não por acaso, vários ficaram pelo caminho e fecharam as portas. Mas quem ficou – resistiu – já começa a ver uma “luz no fim do copo”, com o fim das medidas restritivas e a volta do público. É com o espírito posto à prova que 90 bares se reúnem no que é provavelmente a edição mais importante até hoje do concurso Comida di Buteco, que começa nesta sexta-feira (8) e vai até o dia 8 de maio.

Nesse período, visitantes e jurados vão votar nos melhores pratos. A limpeza do ambiente, o atendimento e a temperatura das bebidas também serão avaliados, além do petisco que, neste ano, não exigiu tema ou ingrediente específico, mas precisa ainda contar com a criatividade para ser comercializado a um preço único de R$ 27. O voto do público vale 50% do peso total, e o dos jurados, outros 50%.

Na disputa pelo título estão desde os veteranos aos mais novos, alguns deles que foram inaugurados durante o isolamento social – caso do Armazém do Chopp, que fica no bairro Santa Branca. O lugar, inaugurado em janeiro de 2021, ocupa o antigo ponto do clássico Bar do João, que também já foi participante do Comida di Buteco. O estreante preparou para a disputa um petisco que mistura a essência botequeira mineira com sabores de Belém do Pará. “Meu marido e minha sogra são de Belém e, por isso, quis trazer o tucupi, uma especiaria de lá, e juntei com a nossa carne de porco mineira. Servimos com farofa de castanha e pimenta de cheiro”, disse a sócia Teole Rocha, referindo-se ao prato participante.
Ainda de acordo com ela, estrear na primeira edição presencial, após adiantamentos e entraves, é uma oportunidade de apresentar o bar para novos clientes e manter vivo o legado boêmio do ponto do bar. “Nossa expectativa é que a gente consiga maturar o negócio e dar continuidade ao ponto. Que isso seja apenas o começo”, acredita.

Filipe Pereira, diretor de operações do Comida di Buteco, concorda. Mapeando sempre estabelecimentos em que o dono está ativamente à frente do bar para participar da competição, ele conta que “o papel do concurso sempre foi este: desenvolver o pequeno”.

Ele ainda lembra sobre os desafios de desenvolver uma edição híbrida durante a edição do ano passado, em que a solução encontrada foi apostar em um modelo híbrido, com petiscos que viajaram bem no delivery e com a recepção nos bares seguindo todos os protocolos de cuidados. “Apesar da queda de 50% do público geral no ano passado, foi muito legal ver como o ser humano é adaptável. Bares que achavam que não funcionavam em delivery começaram a se adaptar. Criamos também o movimento ‘Salve os Butecos’ e conseguimos arrecadar R$ 2 milhões para todos os bares participantes do Brasil”, enumera.

Nesse formato híbrido, o Café Palhares conquistou, no ano passado, o primeiro lugar da competição com o prato de bochecha de porco ao vinho, vatapá de banana da terra e beterraba. O icônico e boêmio estabelecimento, que é comandado pelos irmãos Luiz Fernando Ferreira e João Lúcio Ferreira há mais de 50 anos, criaram um petisco visando ao primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo: jarrete suíno com farofa crocante. “A nossa estratégia é do sabor; vamos apostar em um tira-gosto diferente, mais elaborado, para sairmos lá na frente e, se Deus quiser, ganhar de novo”, disse João Palhares.

Para ganhar, de fato, vale de tudo pra ser criativo. Culturas internacionais também fazem parte dos pratos apresentados pelos participantes, como o Barrigudinha Buteco Gourmet, um dos 39 estabelecimentos estreantes desta edição. Para impressionar os jurados, a Riri Swandhina Ciccone, proprietária e chef do bar que fica no Alípio de Melo, criou o Ayam Goreng Tepung asem Manis – um prato da Indonésia, seu país de origem, que consiste em carne bovina empanada com verduras e molho agridoce. O prato já é sucesso entre os comensais. “Nossa expectativa é criar visibilidade, coroar o crescimento do bar e mostrar nossa comida para BH inteiro conhecer, além da nossa região”, disse Riri.

Premiação

Depois de o público e um corpo de jurados visitarem e votarem para eleger o boteco campeão, avaliando as quatro categorias – petisco, atendimento, higiene e temperatura da bebida – o campeão participa da segunda etapa, em junho, que visita os vencedores em cada cidade do Comida di Buteco. Elege-se aí o Melhor Buteco do Brasil, que será conhecido e premiado no mês de julho. Já a tradicional festa para o público, a Saideira do Comida di Buteco, que reúne bares participantes e atrações musicais, ainda não tem garantias de que vá acontecer.

Assista a entrevista com Filipe Pereira, diretor de operações do Comida di Buteco:

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