Ouricuri: tradição e versatilidade que vem da Caatinga; FaxAju

Cocada de acucar

Comum em regiões sertanejas, o ouricuri representa tradição e tem sabor de lembrança

De polpa adocicada, fibrosa e carnuda, o fruto da palmeira Syagrus coronata, nativa da Caatinga, é conhecido por diversos nomes. Tem gente que chama de ouricuri, licuri, adicuri ou nicuri, são muitas formas para nomeá-lo, mas uma X é única: a lembrança de sentar em frente à porta de casa, junto com a família, para quebrar a casca do fruto para comer a polpa in natura.

“O ouricuri é um fruto que precisa descascar ou retirar a polpa externa para comer o que tem dentro. A polpa, que é a parte de fora, a parte mais carnuda, lembra o dendê. A parte interna é muito semelhante ao coco no sabor. Para nós sergipanos e nordestinos no geral existe a cultura de quebrar a casquinha do ouricuri, que lembra muito a infância e possui uma lembrança afetiva muito forte”, explica a professora de Gastronomia da Universidade Tiradentes (Unit), Isabelle de Andrade Brito.

Esse hábito está muito ligado ao modo de vida interiorano do sertão sergipano, muito recorrente na região de Campo do Brito (SE). Para quem não tem essa possibilidade, é possível encontrar o ouricuri para vender já descascado e pronto para o consumo nos mercados municipais, feiras livres ou diretamente com pequenos produtores.

Além de ser consumido in natura, o ouricuri é utilizado na cozinha fusion food, por ser uma fonte de gordura boa e atribuir regionalismo ao prato. “O ouricuri é uma fonte de gordura boa para o consumo. Na culinária, encontra-se mais na produção de doces pela questão de ser semelhante ao coco, mas já existe um movimento culinário que traz as regionalidades para o prato. Os chefes e cozinheiros trazem os produtos regionais para a cozinha clássica, fazendo uma adaptações e misturando duas culturas culinárias em um prato só”, disse.

No entanto, o fruto é mais versátil do que se pensa. “É possível fazer pão usando, além de outras farinhas, adicionando o ouricuri triturado em bolos, biscoitos, panqueca, sorvete e cocada”, salienta a professora Isabelle.

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