A Breve instrucçaó, para ensinar a Doutrina christáa, Ler, e escrever aos Meninos; e ao mesmo tempo os principios da Lingoa Portugueza, e sua Orthografîa | HISTEDBR

A Breve instrucçaó , para ensinar a Doutrina christáa, Ler, e escrever aos Meninos; e ao mesmo tempo os principios da Lingoa Portugueza, e sua Orthografîa

A Breve instrucçaó |2| , para ensinar a Doutrina christáa, Ler, e escrever aos Meninos; e ao mesmo tempo os principios da Lingoa Portugueza, e sua Orthografîa é uma cartilha simplificada, destinada a facilitar o ensino aos índios, não esquecendo as instruções da doutrina cristã, misturadas em meio às regras gramaticais. Obedecendo instruções, adotava-se o “livro de Andrade”, isto é, de Manoel de Andrade Figueiredo (1722, 156p) |3| , escrita em 1718 e publicada, depois das devidas licenças, em 1722. A Cartilha foi feita por um padre francês, cujo nome não é declarado, mandada elaborar pelo Governador de Pernambuco.

Por ela tem-se idéia de como era o ensino ministrado aos meninos índios, bem como as noções da doutrina cristã. Essa cartilha serve, não só para esse conhecimento, quanto é excelente documento para estudos lingüísticos.

Ao contrário do que se possa pensar a alfabetização dos índios foi colocada em prática, existindo vários relatos, especialmente dos Ouvidores, dando notícias das condições em que se encontravam os meninos e meninas, tanto aqueles que freqüentavam as aulas, quanto os que trabalhavam como oficiais mecânicos.

Eis a cartilha (manuscrita):

Breve instrucçaó |5| , para ensinar a Doutrina christáa, Ler, e escrever aos Meninos; e ao mesmo tempo os principios da Lingoa Portugueza, e sua Orthografîa. (fl. 1v – em branco)

(fl. 2) Letras correntes Romanas

A abcdefghijlmnopqrs |6| Ss |7| Tt |8| uvxx |9| yz ct ae o |10| K

Letras Capitáes Romanas

A B C D E F G H J I |11| K L M N O P Q R S T |12| V X Z Y

As Sinco Letras vogaes

(fl. 2v) Cada huá das Letras vogaes forma por Si Sô, huá voz, ou huá Silaba. O y Grego naó he mais, que o i vogal, ou Latino.

(ã) |13| significa am, (é) em (í) im (õ) om (ú) um

Os tres accentos

Este accento ‘, se chama agudo. Este,

|14| se chama grave. Este ^ Circumflexo

Esta figura (‘) se chama apostrophe, e posta entre duas Letras, serve d’hú à, ou d’é L’a, L’e, L’i, L’o, L’u e &rª |15|

Esta figura (-) se chama divizaó

Esta figura (,) se chama virgola. Esta figura (;) se chama ponto, e virgola. Esta figura (:) se chama dous pontos. Esta figura (.) se chama ponto. Esta figura (!) Se chama admiraçaó. Esta figura (?) se chama interrogaçaó.

Sabeis, e Conheceis ja todos os Caracteres (fl. 3) res, e todas as Letras assim Vogaes, como consoantes, e todas as pontuaçoés de quese uza na escripta: he percizo agora Saber, e Conhecer as Silabas. Silaba he huá uniaõ, ou agregado de Letras, que formaó huá voz, ou huá dicçaó complecta. Todas as desenove Letras consoantes naó formaó nenhúa Voz, sem o Socorro de huá vogal. Cada huá das Vogaes a, e, i, o, u, y, saó o socorro da outra Letra consoante para formar hú Sóm, ou huá Silaba

Silabas de duas Letras

Ba be bi bo bu Ca ce ci co cu Da de di do du

Fa fe fi fo fu Ga ge gi go gu Ha he hi ho hu

Ja je ji jo ju La Le Li Lo Lu Ma me mi mo um

Na ne ni no nu Pa pe pi po pu Ra re ri ro ru

Sa se si so su Ta te ti to tu Va ve vi vo vu

Xa xe xi xo xu Za ze zi zo zu

Silabas de tres Letras

Bla, ble , bli, blo, blu Bra, bre, bri, bro, bru

Cha, che, chi, cho, chu Cla, cle, cli, clo, clu

Cra, cre, cri, cro, cru Dra, dre, dri, dro, dru

FLa, fle, fli, flo, flu Fra, fre, fri, fro, fru

Gla, gle, gli, glo, glu Gra, gre, gri, gro, gru

Gua, gue, gui, guo, guu, Pha, phe, phi, pho, phu

PLa, ple, pli, plo, plu, Pra, pre, pri, pro, pru

Qua, que, Qui, quo, quu, Spa, spe, spi, spo, spu

(fl. 3v) Sta, sté, Sti, sto, stu Tla, tle, tli, tlo, tlu

Tra, tre, tri, tro, tru, Vla, vle, vli, vlo, vlu,

Vra, vre, vri, vro, vru, Bam, bem, bim, bom, bum

Cam, cem, cim, com, cum. Dam dem dim dom dum

Fam, fem, fim, fom, fum. Gam, gem, gim, gom, gum.

Ham, hem, him, hom, hum. Jam, jem, jim, jom, jum,

Lam, Lem, Lim, Lom, Lum. Mam, mem, mim, mom, mum

Nam, nem, nim, nom, num Pam, pem, pim, pom, pum

Quam, quem, quim, quom, quum Ram, Rem, Rim, Rom, Rum

Sam, sem, sim, som, sum Tam, tem, tim, tom, tum

Vam, vem, vim, vom, vum Xam xem xim xom xum

Zam, Zem, Zim, Zom, Zum

Estaes ja isntruîdos nas Silabas, he percizo que entreis com disvello a ajuntalas, e a formar os nomes.

Amaro, Amador, Agostinho, Affonso, Adriaó, ALexo, ALexandre, Camello, Cacimiro, Cypriano, Custodio, Carlos, Clemente, Damiaó, Damazo, Domingos, Diogo, Daniel, Dionizio, David, Eugenio, Euzebio, Francisco, Fernando, Fabiaó, Faustino, Gaspar, Gregorio Gabriel, Geraldo, Germano, Jacôme, Ildefonço

Nomes de mulheres

Anna, Anastacia, Antonia, Anacleta, Adriana, Caetana, Catharina, Custodia, Cacimyra, Dionizia, Dorothea, Domingas Francisca, Faustina Fulgencia

Nomes de Cidades

(fl. 4) Evora, Porto, Coîmbra, Elvas, Lamego, Vizeu, Guarda, Braga, Braga (sic), Miranda, OLinda, Bahîa, Ryo de Janeyro, Madrid, Salamanca, Toledo, Cordova Pariz Toloza, Millaó, Napoles, Modena, BerLim, Ferrara, Roma

O dilatar os meninos nos Nomes, pareceme, que naó he o mais utîl, julgando mais aCertado, escrever lhe o Padre nosso, e mais Oraçoés, que assim se îraó juntamente fazendo practicos na doutrina Christaá, e Scientes no ajuntamento das Letras, e boa pronuncia das dicçoés que hé o que nas Escholas seprocura

(fl. 4v em branco)

(fl. 5) Aos Mestres das Escholas

Hé innegavel, que Os Mestres das Eschólas exercitaó a occupaçaó mais Nobre, e mais util ao Estado, e a Igreja; porque elles Saó quem nos infundem no espirito as primeyras imagens, e os primeyros pensamentos, que devemos ter do Santo temor de Deos, da Obediencia ao Rey, e aos Seus Ministros Respectivos; do amor, e Respeito aos nossos mayores, do affecto necessario á patria, e aos interesses da Monarquîa.

Saó os MM|estres| |16| nas Eschólas os que nos daó as primeyras ideas do equilibrio, que devemos guardar nas nossas acçoés, para que estas naó Sejam abominaveiz ao estado, nem escandalozas a Religiaó Christaá, que professamos, e os que nos Radicaó os principios desta taó ditoza mente a alma unidos, que Se fazem della inseparaveis. Saó os mais amantes da Respublica, e os mais estimados nellas que tanto saó os Discipulos, que concervaó, quantas as pessoas, que os estimaó, que os amaó, e q|ue| os Reverenceyaó. Ainda na antiga Roma, aquelles Imperadores, que confundiraó Com a Crueldade o poder, Respeitaraó a Seus Mestres como Sevio em Nero com Seneca; com outros muytos mais, que Conserva a memoria para horror da hu (fl. 5v) manidade, e os mais amantes porque com osseu |17| desvêlo nos tiraó das trevas da ignorancia, e nos poém no caminho da aptidam para chegarmos ao deleytavel Paiz da Sabedoria.

Devem os MM|estres| ser tractaveis, brandos, e modestos com os Discipúlos: informa que o medo do Castigo lhes naó faça odiozo o Caminho da Eschóla, nem a falta de Correcçáo os deyxe esquecer do Respeito, que devem conservar a q|ue|m os ensina. Devem porem attender a curta comprehençaó, que he natural aos meninos, p|ar|a a porporçaó desta lhes passarem as Liçoenz, e taó Sómente uzarem dos golpes das disciplinas, e palmatoria, quando virem, que a Reprehencivel preguiça he a culpada nos Seus erros, e naó a rudez das Crianças a cumplice da Sua ignorancia: e aos que Souberem maiz applaudillos para por este modo Selhes hir introduzindo huá nobre emulaçaó que os conduza para o bem.

E como o principio da sciencia hé o temor de Deos: devem os MM|estres| Colocar nas Eschólas huá imagem de hum Santo Crucifixo em vulto, ou em pintura, e obrigar aos meninos, quando entraó na Eschóla, que de joelhos devotamente a Reverenceyem, sepersignem, e Sebenzaó; e ensinallos a persignar, e a benzer, fasendo lhes Certo, que o signal da Sancta Cruz, hé a arma mais forte para destruhir as tentaçóes do inimigo Comúm, Capacitando-os de que ao nosso Creador offendemos por pensamentos palavras, e obras; razaó porque quando nos persignamos fazemos tres Cruzes, a primeira na testa p|ar|a que Deos nos Livre de maôs pensamentos, a Segunda (fl. 6) na boca, para que Deos os Livre das mâs palavras, a terceyra nos peytos para que Deos nos Livre das mâs obras, que nascem do Coraçaó. E que quando nos benzemos confessamos o Altissimo misterio da Santissima Trindade, Padre, Filho, e Espirito Santo, tres Pessoas destinctas, e hum Só Deos verdadeiro, ensinando lhe na forma seguinte = As pessoas da S|antissi|ma Trindade Saó tres (como fica dito) Padre, Filho, e Espirito Santo Tres Pessoas destinctas, e hum Só Deos verdadeiro. O Padre hé Deos, o Filho hé Deos, e o Espirito Sancto hé Deoz; e naó Saó tres Deoses; porque ainda que em Sy Saó tres as pessoas destinctas para o numero, he sô húa unida na Divindade. Nem o Pay hé mais velho, que o filho, e que o Espirito Santo. O Filho hé Deos, e juntamente homé; emquanto Deos hé filho do Eterno Pay; emquanto homem he filho da Virgem Maria Senhora Nossa, em cujas purissimas entranhas desceu do Ceo a terra a tomar Carne humana ficando a Senhóra Sempre Virgem no parto, antes do porto (sic), e depois do parto. O Filho foi o que encarnou, e foi o que padeceu no sagrado Lenho da Cruz morte afrontoza, para Remir o genero humano da Culpa em que estava incurso pelo peccado dos nossos prim|ei|ros Pays. Este peccado foi a desobediencia, que commeteraõ Contra o preceyto divino, que lhe tinha imposto de naó tocarem < o > |18| fruto da arvore da sciencia do bem, e do mal. Na qualidade da Arvore há varias openioés entre os DD|outores| |19| , mas perdida a vertude do pomo; parece desnecessaria a averiguaçaó da qualid|ad|e da Arvore.

He percizo ensinarlhe o Padre Nosso (fl. 6v) naó materialmente, mas capacitando aos meninos das Sete petiçoens, que fazemos a Deos nesta Santa Oraçaó, as quaes Saó as seguintes = Primeira Padrenosso, que estaes nos Ceoz, Santificado Seja o teu nome. Segunda venha anós o teu Reyno; Terceira, Seja feita a tua vontade, assim na terra Como no Ceo. Quarta o paó nosso de cada dia, nos dâ hoje. Quinta perdoanos nossas dividaz: assim como nos perdoamos aos nossos devedores; Sexta naó nos deixes Cahir em tentaçaó; Setima, mas Livra nos de todo o mal. Amen JESVS.

Como tambem Ave Maria explicando lhe, que contem emsy a saûdaçaó angelica, que o Anjo São Gabriel veyo fazer a Senhora. Ave Maria cheya de graça, o Senhor he comtigo, benta es tu entre as mulherez, bento he o fruto do teu ventre Jesus. Até aquî a Saûdaçaó: e no Resto, Santa Maria may de Deos, Roga por nos peccadores, agora, e na hora de nossa morte. Amen Jezus. A Supplica, que fazemos a Santa, e inmaculada Virgem Senhora nossa, para que Rogue e enterceda a Deoz por nos.

Passaraó depois os MM|estres| a ensinar aos meninos o Credo; e para que mais facilmente o aprendaó, e para que melhor comprehendaó a sua Sustancia lho ensinaraó em doze artigos Symbolo dos Apostolos, e da nossa Santa fê na forma seguinte = Primeira; Creyo em Deos Padre todo poderozo, Creádor do Ceo, e da terra. Segundo Creyo em Jesus Christo, hum Só seu filho nosso Senhor. Terceiro, o qual foi concebido do Espirito Santo; nasceu de Maria Virgem. Quarto, padeceu Sob podêr de Poncio (fl. 7) Pilatos, foy crucificado, morto, e sepultado. Quinto, desceu aos Infernos: no terceiro dia Resurgio dos mortos. Sexto, Subio aos Ceos, estâ aSentado a maó direyta de Deoz Padre todo Poderozo. Setimo, donde ha de vir julgar os vivos, e aos mortos. Oytavo, Creyo no Esperito Santo; Nono, na Santa Igreja Catholica; na commonicaçaó dos Santos. Quinto na Remiçaó dos peccados; na Resurreyçaõ da Carne. Duodecimo, na vida eterna. Amen.

Sabeis jâ o Symbolo dos Apostolos, maz he precizo, que as materias da Religiaó se saybam, naó materialmente, mas com toda aquella Certeza, e indagaçaó necessaria, e Comprehencivel a curta esphera humana. Vos diZeis no pr|imeir|o artigo, Creyo em D|eu|s Padre; haveis de Saber, que o Crêr, he ter por certo, e infalivel, tudo o que a Santa Madre Igreja Romana nos propoêm de fê, e télo por Mais Certo do que se Ovissemos com os olhos, ou tocassemos com as maós.

A palavra crêdo, ou Creyo, hé o mesmo, que dizer entendo, que estes artigos, que os Apostolos, e a Igreja nos porpoêm Saó assim na verdade; e atê derramar a ultima gota de Sangue das Veás, assim o hey de Crêr, e o hey de Confessar. Os actos de Crença, ou de fê, que professamos Saó tres: o 1º Crêr com o Coraçaó o mesmo que expressamos com a boca; O 2º Confessar publicamente com a boca sendo necess|a|r|i|o; aquilo, que Crêmos com o Coraçaó; o 3º padecer, morrer pela fê que professamos, havendo occaziaó de podermos al (fl. 7v) cansar a ditoza Coroa do martirio. Creyo em Deos Padre, quer dizer, Creyo a Deos como verdade Summa, e em tudo o que diz, e Revella a sua Igreja. Creyo, que ha Deos, e que o ultimo fim Sobrenatural, e incomprehencivel a natureza humana. Fizeraó o Credo os Apostolos em Jerusalem, depois da Ascempçaó de Christo no tempo da perseguiçaó antes de Seespalharem pelo mundo. Fizeraó-no para nos informarem na fê, porque o crêdo he huá verdadeira confissaó della; e para que toda a Igreja Catholica Romana Crê-se huá mesma Couza. Chamasse ao Crêdo Symbolo dos Apostolos; porque Symbolo, quer dizer Signal, ou deviza, com que os que na Guerra pelejaó se devidem de Seus contrarios, e Com o Credo se devidem os Catholicos Romanos dos Pagaons, dos Hereges, e dos Protestantes, e esta deviza concordaraó os Apostoloz entre Sy fosse a Confissaó da fé Catholica, e Apostolica. Chamasse |20| tambem Symbolo, porque Symbolo quer dizer a parte com que alguem entrava no banquete; e neste banquete Celeste entrou cada hum dos Apostolos com seu artigo; e por isso Saó doze os que contem o Crêdo.

Os Symbolos da fê, sam quatro. O pr|imei|ro he o Crêdo a que aqui chamamos Symbolo dos ApostoLos. O Segundo he o Niceno feyto pelos PP|adres| |21| do Consilio de Niceya, e he o quesecanta na missa. O quarto hé o de Santo Athanazio, quese diz no Officio divino. Estes quatro Symbolos naó Saó diversos entre Sy; mas o dos ApostoLoz, se explica mais por extenço nos tres Consilios univerSaez. O motivo porque acreditamos taõ fortemente o Credo, e os artigos da nossa Santa fê; he, porque Deus (fl. 8) o dice, ou Revellou a sua Igreja: de modo, que a Cauza da Crença, he Deos Revelante. Digo, que he Deos Revelante, porque assim o diz a Santa Madre Igreja Catholica Romana, que he aLumiada pelo Espirito Santo, e naó pode errar nas Couzas que nos propoêm de fê. Sabeis o que he fe? He hum dóm de Deos impresso n’alma, com o qual cremos firme, e Catholicamente tudo o que Deus nos tem Revelado, segundo a Santa Madre Igreja o ensina. O credoSe devide em quatro partes: a primeira he a sciencia divina, ou Deos uno com Seus atributos, que Seexplica nas palavras Seguintes = Creyo em Deos. A segunda. A pessoa do Padre, queseexplica nas palavras = Padre todo poderozo, Creador do Ceo, e da terra. Terceira. A pessoa do filho, queSeexplica naz palavras; e em Jesus christo, hum Só seu Filho nosso Senhor. A quarta, A pessoa do Espirito Santo, queSeexplica nas palavras = O qual foi concebido por obra do Espirito Sancto. E pozemos pr|imei|ro Deos hum, ou huá essencia divina; porque ao nosso modo de entender, se entende primeiro Deos uno, do que Trino.

Deveis Saber, que couza he a essencia divina. Essencia divina hé hum Ser deSy mesmo; e porsy mesmo sem dependencia de alguá outra couza; he huma natureza, ou Substancia estavel, immensa, eterna, incorporéa, Simplissima sem principio, e sem fim. Hé hú espirito, in vezivel, in comprehencivel, in estimavel, in mutavel, in corruptivel, forte, e Autor de todas as criaturas. E estas denominaçoéz lhe damos em Ordem ao que das mesmas Criaturas conhecemos; porque seo quizermos conciderar Só em Sy, he in nefavel. Quer dizer Creyo (fl. 8v) em Deos Padre; Creyo na primeyra pessoa da S|antissi|ma Trind|ad|e, que he Deos Padre. Chamase Deos Padre; porque hé verdadeiramente Padre do Seu Vnigenito Filho por natureza; he Padre dos Justos por adopçaó, e hé Padre de todaz as Creaturas por Creaçaó. A pessoa do Padre he Ingenita, do Padre foi gerado o Filho, e do Filho, o Espirito Santo. Chamasse Deos Padre todo Poderozo, porque ainda que Deoz hé immenSo, Eterno, e infinito; e tem outros tituloz, e atributos, neste Lugar aonde se chama Creador, divinamente Selhedâ o titulo de Omnypotente, para que entendamos, que quem tudo pode, naó teve deficuldade em criar tudo.

Ainda que a Omnipotencia he atributo da Essencia, e tanto como Padre, se pode dizer Omnipotente o Filho, e o Espirito Santo; Comtudo ainda que a Omnipotencia pela Razam da Essencia Seja natural a todas as trez divinas pessoas; especialmente Se atribuêm ao Padre, porque he fonte de toda A Origem, e principio Sem principio desta prodigioza commonicaçaó. Dizemos Creador; porque fez todas as couzas de nada; e Só elle deste modo he Creâdor porque o Demonio, e outros Artifices Creâdos, naó podem crear de nada, mas de humas couzas fazem Outras.

Dizemos Creador dos Ceos, e da terra; porque no Ceo, e na terra Se inclue todo o mais criado. Dizemos Creyo em Jesus Christo; porque Jesus quer dizer Salvador, e Salvador foi, e hé deSseu |22| Pôvo. E christo quer dizer Ungido, e foi ungido como Sacerdote Sobre todos os Sacerdotes, como Rey Sobre todos os Reys (fl. 9) E como Profeta entre todos os Profetas.

Dizemos que Christo foy concebido por obra do Espirito Santo; porque o Espirito Santo formou nas entranhaz purissimas da Virgem Senhora Nossa o Corpo de Christo, unindolhe a alma, que no mesmo instante Crêou, e Suprîo as qualidades formativas, e generativas, pois nesta generaçaó naó houve Pay; e por isso se diz, que Christo foi concebido do Espirito Santo Espozo da Virgem. Deos emquanto homem padeceu, foi Crucificado, morto, e Sepultado, desceu aos Infernos, Subio ao Ceo, estâ assentado a maó direyta de Deos Padre todo Poderozo; foi Crucificado pela iniqua Sentença, que deu Poncio Pilatos, que era o Ministro do Imperador Augusto CeZar no anno de quarenta e dous, e da Criaçaó do mundo 5$199 (sic), Segundo o Martyrologio Romano.

Do ceyo de Abraham, que entendemoz por Inferno, ReSurgio ao terceiro dia com as almas dos Santos PP|adre|s que nelle o estavaó esperando; Subio aos Ceos, estâ acentado a maó direyta de Deus Padre todo Poderozo. Explicamo-noz por este termo de maó direita, naó porque Deos tenha maó direyta, ou esquerda, que he espirito, e naó tem membros; para mostramos porem, por hum modo Comprehencivel, que se emquanto Deos he igual ao Padre, emquanto homem tem o melhor Lugar depois do Padre. Donde ha de vir a julgar os vivos, e os mortos. Dizemos que há de vir a julgar; porque no dia de Juizo, havemos todos de Ser julgados assim os vivos pela graça para hirem gozarem a bem aventurança por toda a eternidade, como os mortos pelo peccado, para hi (fl. 9v) rem para as penas eternas. A communicaçaó dos Santoz Se entende as boas Obras, que fazem todos os justos na terra, saó partecipantes a todos os Catholicos, que vivem na Igreja Romana. Resurreyçaó da Carne, he que havemos de Ressucitar na idade de trinta e tres annos, Reunindosse |23| a nossa alma ao mesmo Corpo de que foi forma; para em corpo, e alma os justos hirem gozar a Bem aventurança, e os injustos o Inferno para toda a eternidade.

Ensinaraó os MM|estres| aos meninos o acto de Contricçaó seguinte = Pezame Senhor de todo o meu Coraçaó, e alma de vos haver offendido por serdes vos quem Sois infinitamente bom, digno de Ser amado; porponho com vossa graça a emmenda da vida, espero o perdam das minhaz Culpas nos merecimentos de vosso preciozissimo Sangue e Sagrada morte Payxaó. Amen Jesus.

Ensinem-lhes taóbem a confissaó.

Eu pecador, me confesso a Deos todo poderozo, e a Bem aventurada Sempre Virgem Maria, ao Bem aventurado S Miguel Archánjo, ao Bem aventurado S|aó| Joam Bautista, aos SS|antos| |24| Apostolos, Saó Pedro, e Saó Paulo, e a todos os Sanctos da Corte do Ceo, e avos Padre, que pequey muitas vezes, por penSamentos palavras e obraz, digo a Deus minha Culpa, minha Culpa, minha grande Culpa; portanto pesso e Rogo a Bem aventurada Sempre Virgem Maria ao Bem aventurado S|aó| Miguel Ar (fl. 10) chanjo, ao Bem aventurado S|aó| Joam Bautista os S|an|tos Apostolos S|aó| Pedro, e S|aó| Paulo, e a todos os Santos, e aVos Padre que Rogueis por Mim a Deos Nosso Senhor. Amen Jesus.

Depois de bem Saberem a confissaó lhedevem ensinar, e persuadir, que pela confissaó humilde, Sincera, e verdadeyra, nos Reûnimos a graça com o Sacramento da penitencia. Tanto que a nossa malicia nos fez perder pelos peccados commetidos a graça baptismal, que tinhamos adquerido, assim que na |25| segunda fonte do baptismo fomos Lavados da Culpa Original.

Devem ensignar lhes as trez couzas essenciáes para a confissaó ser bem feita, que Saó as seguintez: Confissaó de boca, Contricçaó do Coraçaó, e Satisfaçaó de Obras. Confissaó de boca, hé confessar ao Sacerdote, como Ministro de Christo, humilde, e verdadeiro todas as offensas contra Deos Cometidaz sem occultar nenhuá por pejo malicia, ou vergonha. Contricçaó de Coraçaó, he ter huá dor verdadeyra dos peccados cometidos contra Deuz, por ser Deos quem he infinitamente bom, e digno de Ser amado. Satisfaçaó de obraz, hé cumprir sem nenhuá dezCrepança, a penitencia imposta pelo Confessor. Saó estaz tres Couzaz percizas para a confissaó enforma, que faltando fica a Confissaó nulla, e invalida, e Ligado o penitente ao terrivel peccado do Sacrilégio.

Depois lhes devem ensinar os des preceytos do Decálogo, ou mandamentoz da Ley de Deos na forma seguinte = Os Mandamentos da Ley de Deus, Saó des, os tres primeiros pertencem a honra de Deoz (fl. 10v) E os outros Sete ao proveito do proximo. O primeiro amaraz a hú Só Deos todo Poderozo. O Segundo (não) |26| jurarâs osseu |27| Santo nome en vaó. O terCeyro guardarás os Domingos, e dias Santos. O quarto honraraz ateuPay e atua May. O quinto naó matarás. O Sexto naó fornicarâs. O Setimo naó furtarâs. O oytavo naó Levantarâs falso testemunho. O nono naó dezejaras a mulher do teu proximo. O decimo naó Cobiçarâs as couzas alheas. Estes des Mandamentos Seenserraó em dous; convem a Saber, amar a Deos, e ao proximo como aSy mesmo. Amen Jesus.

Devem os MM|estres| ensinar aos DiscîpuLos, que estes preceytos saó de direyto Divino dados á Moyzês pelo mesmo Deos no Monte Sinay; motivo porque o Papa dellegado de Deos naó pode nellez dispensar. Devem agora ensinar os mandamentos da Santa Madre Igreja. Saó sinco. o pr|imeir|o ouvir missa aos Domingos, e dias Santos. O Segundo Confessar ao menos huá vez cada anno. O terceyro commungar pela Paschoa da ReSurreiçaó. O quarto jejuar, quando manda a Santa Madre Igreja. O quinto pagar Dizimos, e premissas. ExpLicando lhez, que Saó de dereyto Ecclesiastico: Resaó porque pode nellez dispensar o Summo Pontifice exvi (sic) |28| do poder que Christo deu a S Pedro, Primeiro Pontifice; e asseus |29| Sucessores quando lhe dice tudo aquillo que Ligares na tera Serâ Ligado no Ceo, e tudo aquillo, que dezatares, serâ no Ceo dezatado.

Depois dos meninos instruîdos nestes PrinCipios da nossa Sagrada Religiaó, lhes ensinem a virtudes Theologaes, que Sam trez. Fê, Esperança, e Caridade. Fê hé crêr aquillo que Deos dice, como elle o dice, e ensina a Santa Madre Igreja. Esperança, he ter huma es (fl. 11) esperança certa de que Deos nos hade Salvar, fazendo nos da nossa parte a deligencia preciza para adquerir-mos o beneficio da Sagrada Gloria. Caridade hé amarmos aos nossos proximos com o mesmo disvello, e com o mesmo Cuidado Com que nos amamos anos mesmos. Depois lhes ensinem as obras de misericordia. As obras de mizericordia Saó quatorze, Sete espirituaes, e Sete Corporaes: as Sete Corporaez Saó as Seguntes; a primeira dar de comer a quem tem fome, a seg|un|da dar de beber a quem tem cede, a terceira vestir aos |30| nuz, a quarta Vezitar aos infermos incarsarados, a quinta dar pouzada aos peregrinos; a Sexta Remir aos Captivos. A Setima interrar aos mortos. As espirituaes Saó estas: O primeiro dar bom concelho; a Segunda ensinar aos ignorantes; a terceira conSoLar aos tristes; a quarta castigar aos que erraó; a quinta perdoar as injurias; a Sexta Sofrer com paciencia as fraquezas de nossos proximos; a Setima Rogar a Deos pelos vivos, e defuntos. Estas obras de mizericordia Se devem excitar com sinco condiçoens; a primeira com segredo, a Segunda Com preca |31| , a terceyra com alegria, a quarta, com pouco exame da pessoa a quem sefaz, quinta com fim da gloria de Deos.

Devem agora ensinar os Sacramentos da S|anta| Madre Igreja, que Saó Sete. O Prim|ei|ro he baptismo, o Segundo confirmaçaó, o terceiro Communhaó, o quarto penitencia, o quinto extrema unçaó, o Sexto ordem, o Setimo matrimonio.

O baptismo he a porta dos Sacramentos da Ley da graça; foi instituido por Christo Senhor nosso, e necessariamente necessitamos deste Sacramento parase nos abrirem as portas do Ceo. A Confirmaçaó he (fl. 11v) O mesmo, que Chrisma; e este segundo Sacramento Sechama confirmaçaó, porque he o Seu effeito confirmar o homem na fê; porque assim como no baptismo o baptizado SeLava Com aquella agoa, para significar, que a graça de Deoz lhe alimpa a alma da macula de todos os peccados, assim no Chrisma, seunge a testa para significar, que a graça de Deoz, unge alma, e a conforta, e fortefica para que possa Combater contra o Demonio, e confessar com ouzadia a Sancta fê Catholica, sem temor, ou Receyo dos tormentos, nem medo de perder a vida do corpo. O terceiro Sacramento hé a Communhaó, ou Eucharestîa, que hé o Sacramento do Corpo e Sangue de Christo, que verdadeiramente Se contem debaixo das especias de paó, e vinho. O quarto Sacramento, he a penitencia, que conSiste em ter huá verdaderia dor dos peccados commetidoz com prepozito firme de os naó tornar á commeter. O 5º he a Extrema unçaó; extrema unçaó hé hum Sacramento que Christo Senhor nosso instituhio para os infermos; e chamasse unçaó, porque conSiste em ungir com oleo Sancto aos infernos Rezando Sobre elles alguás Oraçoéns: chamaSe extrema por Ser a ultima entre as unçoés queSedaó noz Sacramentos da Igreja; a primeira Se dâ no Baptismo; a segunda na Confirmaçaó. A terceira no Sacerdocio; a ultima na infermidade. Tambem sepode chamar extrema porque se dâ no fim da vida. O Sexto Sacramento he Ordem; he hum Sacramento da Ley da graça Com o qual ao ordenado sedâ poder para algum ministerio aCerca da eucharistia. O Setimo Sacramento he o do matrimonio: o Sacramento do matrimonio, hé huá mutua obrigaçaó ou vinculo, com o qual os conjugadoz vivem (fl. 12) Entre Sy mutuamente obrigados indesoluvelmente permanentes.

Devem os MM|estres| ensinar os peccados Mortaes. Os peccados mortaes Saó Sete. O primeiro he Soberba; o segundo avareza; o terceiro Luxuria; o quarto îra; o quinto gulla; o Sexto inveja; o Setimo preguiça.

Contra estes Sete peccados mortaés, ha sete virtudes oppostas, que devemos exercitar, para naó cahir-mos nellez. Contra a Soberba, humildade; contra avareza, Liberalidade; Contra a Luxuria, Castidade; Contra a îra paciencia; Contra a gula temperança; Contra a inveja, Caridade; contra a preguiça, deligencia.

Tambem deve ensinar os Novicimos do homem, que Saó quatro: Morte, Juizo, Inferno, e Parayzo; e persuadir aos Discipulos tragaó a memoria em todas as Suaz acçoéz os mesmos Novicimos, que Serâ a melhor Liçaó, para os deregirem sempre para o bem.

Emsinem lhe ultimamente os Artigos da fê, que Saó quatorze. Sete pertencem a humanidade; e os outros Sete a Divindade; os Sete que pertencem a Divindade Saó estes. O primeiro Crêr, que hé hum Só Deos todo Poderozo; o Segundo Crêr, que he Padre; o terceiro Crêr, que hé filho; o quarto Crêr, que hé Espirito Sancto; o quinto Crêr, que he Creador; o Sexto Crêr, que he Salvador; o Setimo crer, que he Glorificador. Os Sete que pertencem a humanidade Saó estez, o primeyro crêr, que o mesmo filho (12v) de Deos foi concebido do Espirito Santo; o Segundo Crêr, que nasceu de Santa Maria Virgem ficando ella sempre Virgem; O terceyro Crêr, que foi por nos Crucificado morto e Sepultado; O quarto Crêr, que desCeu aos infernos, e tirou as almas dos Santos Padres, que Lâ estavam esperando a Sua Santa vinda; O quinto Crer, que ReSurgio ao terceyro dia; O Sexto, crêr que Subio aos Ceos, e estâ assentado a maó direyta de Deos Padre; o Setimo Crêr, que há de vir a julgar os vivos, e os mortos dos beins, e mallez, q|ue| fizeraó.

Chamaó-se artigos da fê, porque artigos quer dizer Ligadura, ou nô com quese ataó, e unem os membros huns com os outros, para fazerem hú corpo perfeito; e assim, estes quatorze artigos Saó como nós, ou Ligaduras, com as quaes os fieis seunem pela Crença huns com os outros para fazerem hú corpo mistico, e perfeito.

Naó saó os artigos da fê diferentes do Crêdo; mas o que contem o Credo em doze artigos; se devide aquî em quatorze para mayor clareza, e inteligencia das Creaturas. Estes Saó os primeyros alimentos da nossa Sagrada Religiaó em que os meninoz na Eschola devem Ser peritos, e inteligentes. E a mais doutrina em que necessitaó de Ser perfeitos lhes hiraó depois os Mestres ensinando com amor, prudencia, e vigilancia.

Devem ter os MM|estres| grande Cuidado em persuadir a Seus Discîpulos a veneraçaó, que devem ter ás Cruzes, por serem figura daquella em q|ue| padeceu morte afrontoza o nosso Redemptor, e nella derramou osseu |32| preciozissimo Sangue (fl. 13) para nos Salvar. E quando apanharem algum menino em mentîra, o Castiguem, afeando lhe a mentîra, assim por ser contra o Crêador, como contra as Creáturas; mostrando lhe quanto Se faz o Sujeito mentîrozo indigno do Comercio das Gentes, e inteyramente intractavel de todo o homem honesto.

He necessario, que os Mestrez ponhaó indispensavelmente aos Discîpulos no habito deSeconfessarem todos os mezez; e ao maiz velho, ou mais inteligente, entregaraó huá Cruz de pau benzida, que estarâ naz Eschólas, para que este a Leve alSada quando Sahir o Santissimo Sacramento; e para que toda a Eschóla o vâ aCompanhar; e o Mestre lhes hirâ prezidindo e Cantando os meninos porporcionalmente o Bendito, e Louvado e &rª |etc|.

Devem os Mestres ter cuidado de persuadirem aos meninos, que quando Se deitarem na Cama, Rezem pr|imeir|o de joelhos devotamente tres PP|adres| .NN|ossos| |33| . e tres Ave Marias e tres Glorias em Louvor da maternidade, Conceyçaó, e virgindade de Maria Santissima, para que lhes alcanse de seu amado filho auxilios eficazes para a Sua Salvaçaó, e que o mesmo fassa quando Selevantarem da Cama.

E como seria couza indigna de hum Cristaó deyxar deSeLembrar de Deos, assim quando Sepoêm a Meza, como quando Selevanta della. Teraó os MM|estres| Cuidado delhes ensinaren as Oraçoés Seguintes =

Para quando se assentaó a Meza

Senhor abençoay este sustento, que nos daiz para nutriçaó (fl. 13v) de nosso Corpo, e fazeinos a graça quenos Sirvamos delle Com temperança; isto vos pesso, em nome do Padre, do Filho, e do Espirito Sancto. Amen Jesus.

Para depois de Comer

Senhor, eu vos rendo as graças pela esmolla que me fiz este de me dares sustento para a nutriçaó demeu Corpo, e Conservaçaó da minha vida. Conservay Senhor, a vossa graça dentro na minha alma, para que vos possa vér, amar, e Louvar por toda a eternidade. Amen.

Fasse precizamente necessario; que os M|estr|es adocem a penoza tarefa da Leytura, aos meninos com alguás breves practicaz com queSevaó Christianizando, e instruîndo: como V|erbi| g|ratia|. Ja conheceis as Letras, ja Sabeis as Silabas, e as palavraz, hé necessario, agora aprender as Letras, e ajuntallas Com perfeiçaó. Trabalhay com disvello para Ser bons Catholicos, bons Cidadoens, e para ordenadamente poderes manejar as vossas dependencias. Principiay a usar da vossa razaó, e Concebey, que Deos vos criou para o Conhecerez, para o amarez, para o servires, e para Gozardes da Vida eterna.

Hé percizo passar por esta vida mortal, na qual vêdes, e haveis de vêr o muito que tem de penoza. He percizo comprehender, que depois do peccado Original Condemnou Deos a todos os homenz ao trabalho; aq|ue|Le que ama, e idolatra a ociozidade, naó ama, nem Serve a D|eu|s (fl. 14) porque a preguiça, hé hum dos Sete peccados mortaes. Nasceu o homem para o trabalho, assim como nasceraó as Aves para vóarem: aquelle que naó quer o trabalho porporcionado as Suaz forsas, e as Suas qualidades, hé indigno do Sustento com queSe nutre aquelle que hé ociozo na mocidade, trabalharâ na Sua velhice.

Naó sabeis meus amados Discipulos, Se a vossa vida serâ breve, ou dilatada: trabalhay como quem ha de viver Longo tempo, e vivey como quem imagina de instantaneamente poder hir dar contas ao Crêador. Tende Sempre na memoria o Respeito que deveiz ter a vossos Pays, aos vossos mayorez, e aos vossos bemfeitorez. Hum homem Sem obediencia, naó hé homem, he monstro, e Sem agradecimento hé fêra, a ainda mais que fêra; porque nas historias Sagradas encontramos Leoens agradecidos, e Respeitozos a Seus bemfeitores; e nas humanaz naó Só em Leoens, mas em outros muitos animaes menos nobres encontramos o agradecimento.

Lembray vos de quevossos Pays vos deraó o Ser, e que tem tido grandes fadigas para vos porem no estado em que exestiz. Reparay no grande trabalho, que destes a vossas mays emquanto aos peitos vos nutriraó; e no tempo em que naó podieiz andar, nem vos Sabieis vistir, nem podieis explicar os vossos Sentimentos. Vossos Pays vos preveniraó das inclamidades do tempo, e talvez q|ue| bem apezar das Suas inpossebelid|ad|es vos vestiaó e Sustentavaó. Esperaó agora que vos appliqueis com todo o Cuidado a áprender o que vos he necessario para passarez o Curso de vossa vida. He esta vida cheya de dependencias, e embaraços, que vos cauzaraó bastantes disvelloz, e mais Cres (fl. 14v) Cidos, Se vos faltar a cómodidade de bem fallar, bem Ler, e bem escrever.

Tem geral estimaçaó o homem honesto que falla com acerto, que Le com desembaraço, escreve Com perfeiçaó; porque dâ Certezas infaliveiz, que foi bem educado. Aquelle que carece destas Circunstanciaz he, visto como Sujeito inepto; servem as Suas vozes de asumpto para o escârnio, para a Zombaria, e para o desprezo. Aquelle que naó Sabe Lêr, passa á metade da vida a Sego; e para poucas couzas hé capaz o homem, que naó Sabe Ler, e escrever.

Escutay com respeitoza attençaó a quem Vos ensina, naó lhe desafieis a Colera, nem o chegueiz ao Caminho da inpaciencia, quando Saó obrigados avosCastigar; recebey o castigo com humildade. Diz o Espirito santo, que a doudisse estâ atada ao pescosso dos meninos, e que a vara da Correpçaó lha dezata, e lha desterra. Olhay a vossos Mestres como enviados de Deos, para vos darem a educaçaó Soberanamente necessaria, e a mais doce ConSolaçaó para as mizerias, e amarguras desta vida. Naó vos entristiçaes por comprehenderes com trabalho o pouco que Sabeiz; porque pela mesma penuria passaraó esses Padres, que vedes Sacraficando nos Altares Sagrados, e os que ouvîs nos Pulpîtos explicando o Evangelho.

Foram impressos os Livros para vossa instrucçaó. Toda essa maquina, que vedes de (fl. 15) Livros hé composta de vinte e Sinco Letras; destas Sam Seis Letras vogaes: Chamaó-se vogaes, porque cada huá per sy, só tem hum Som complecto, ou forma huá Silaba. As desenove Saó consoantes: chamaó-se ConSoantes, porque naó Significaó nada persy Sôs, sem auxilio de algúas daz Vogaes. Com estas vinte e Sinco Letras Se formaó todaz as Silabas, e todas as vozes, ou palavras. Formasse |34| huá Silaba de muitas Letras juntas, que fazem hú Som Complecto: Como V|erbi| g|ratia| Ba, Ce, di, fo, gu. He percizo quevos costumeis a pornunciar bem as Silabas p|ar|a bem vos poderes regular na escripta. Huá voz, ou huá dicçaó, Saó muitas Silabas juntas, que fazem hum sentido destincto e separado: Como V|erbi| g|ratia| penna, tinta, papel, obréas. Todos os discursos Saó compostoz e Ordenados de diferentes termos, que SeReduz a Sua diversidade ao abreviado numero de nove á que podemoz chamar com propriedade instrumentos da lingoa que falamos. He certo que naó há Mestre ou official de qualquer arte nobre, ou officio mecanico que naó conheçaó os instrumentos percizos para a Sua arte, ou officio! Pois naó Serâ vergonhozissimo a hú homem ignorar os instrumentos da arte de fallar, que hé a arte das artes, e a árte mais nobre, mais util, e maiz perciza para o Comercio humano! Aqui tendes meuz Discipulos as nove vozes, ou instrumentos com a Sua expLicaçaó. Primeiro, o articulo Significa uniáo; Os articuloz Saó huáz pequenas dicçoés, que Sepoêm antes dos nomez para a demonstraçaó do genero, do n|úmero| e do Cazo Como V|erbi| g|ratia| hum homem, huma mulher, hum homem (fl. 15v) de hum homem, para hum homem. Huá molher, de huá Molher, para huá molher.

Segundo: O nome Antonio, Joaó, Manoel, Lisboa, Madrid, Pariz; Saó nomes / e nomes proprios / de que em outro Lugar darey mais individual explicaçaó.

Terceyro: o pornome, he o que Sepoêm em Lugar do nome: Como V|erbi| g|ratia| eu mesmo, tu mesmo, elle mesmo, elles mesmo, e ellas mesmo. Este, elle, aquelle; estas, ellas, aquellas, saó pornomes.

Quarto O verbo ser, estar, concever, ensinar, julgar, e empedir, Saó verbos.

Quinto o partecipio: chamasse partecipio porque partecipa do Verbo, e do nome: como V|erbi| g|ratia| o que ensina; o que Lê, o que ama, o que ensinava, o que Lîa, e o que amava, Saó partecipios.

Sexto; o adverbio: he o adverbio huma Voz, que Se expressa depois do verbo para a determinaçaó da Couza expressada: como V|erbi| g|ratia| de menhaá, de tarde, de noyte, ao meyo dia, a meyanoite e&rª |35|

Setimo: a porpoziçaó; he a porpoziçaó huá Voz, que se poem antes dos nomes, e que os determina: como V|erbi| g|ratia|. a Pedro, para Pedro, Com Pedro, a Joam, p|ar|a (fl. 16) Joam, com Joam e&rª.

Oytavo; Conjunçaó: a conjunçaó hé a que Liga as vozez, ou as cepara: como V|erbi| g|ratia|. Francisco, e Antonio; Joaó, e Manoel, Gaspar, e CLemente; Francisco, ou Antonio; Joaó, ou Manoel; Gaspar, ou Clemente. Este (e) e aquelle (ou) Saó conjunçoés. Nono:Intergeiçaó. A intergeiçaó, he hua voz, que exprime as payxoenz, ou affectos d’ama; como v|erbi| g|ratia| O’ Deos, O’ Ceo, O’ Terra, O’ Mundo, O’ Clamidade. Este O’ he intergeiçaó.

Destas nove Vozes, ou nove partes do disCurso devemos Saber, que tres Respeitaó ao nome; as quaes Saó o articulo, ou pornome e o partecipio. O adverbio, a porpoziçaó, e intergeiçaó Saó indicLinaveis, e tem Sempre a mesma pornuncia, e guardaó a mesma escripta. Resta unicamente o nome, e o Verbo, que merece huá grande attençaó; porque o Verbo seconjuga, e o nome SedecLina; mas Sepracticarmos bem o que devemos obServar com os nomez, e Com os verbos, fallarâ qualquer Sujeito Correptamente, e Carecerâ de necessidade de Livros de Orthografîa, para escrever com bastante Certeza.

O nome he, que determina a Oraçaó: V|erbi| g|ratia| Deos hé infinito: Deos hé o nome, ou he Substantivo, ou adjectivo. O nome Substantivo aSina Simplexmente a Couza: como V|erbi| g|ratia| Deos, Anjo, homem, mulher; Saó nomes Substantivos. O nome adjectivo, mostra, e ensina, a qualidade do individuo: como V|erbi| g|ratia| bello, (fl. 16v) branco, Negro, quente, frio, morno, Saó nomes adjectivos. Todos os individuos de que tractamos, ou Saó machos, ou femeas, ou saó masculinos, ou femininos: se Saó mascuLinos, tem o genero masculino á que pertencem; Se Saó femeninoz o genero femenino. Para os nomear hé percizo attender ao genero, para lhe applicar o Seu articulo Respectivo: como V|erbi| g|ratia| hum Livro, hú homem, hú Ramilhete, huá mulher, huá Roza, huá bonéca. Quando lhe applicamos o articulo hum, he do genero masculino; quando lhe applicamos o articulo huá, he do genero femenino.

Temos dous numeros: a Saber, Singular e pLural: o numero singular compete a hum Só individuo; e o numero plural. á muitos: Como V|erbi| g|ratia| hum Jesuîta, he o numero singular, os Jesuîtas, hé n|umer|o pLural; porque Saó muitos aquelles de que fallamos.

Todo o nome, ou Seja Substantivo, ou adjectivo tem Seiz cazos, assim no singular, como no plural, a Saber, Nominativo, Genetivo, Dativo, Accusativo, Vocativo, AbLativo. Para bem decLinar O nome lhe deve ajuntar osseu |36| articulo para Sabermos em que Cazo estâ o nome. O mesmo articulo Serve para o nominativo, para o accuzativo, e Vocativo; O Dativo tem Seu articulo, o Genetivo, e o Dativo tem o mesmo articulo: exemplo. N|umer|o Singular. Nominativo, accusativo, Vocativo o Pay, Dativo o Pay, Genetivo, e Ablativo do Pay. N|umer|o PL|ural| Nominativo, Accusativo, e Vocativo os Pays. Dativo os Pays, Genetivo, e AbLativo dos Pays.

(fl. 17) Numero Singular

Nominativo O Livro

Genitivo do Livro

Accuzativo O Livro

Vocativo O’ Livro

Ablativo do Livro

Assim em todos os mais nomes, tanto no Singular, como no plural, nos masculinos como nos femeninos Sem mais diferença, que applicar lhe os articulos pertencentez aoz Seuz generos, e aos Seuz numeros.

Os nomes proprios naó tem plural tem unicamente Singular

N|umer|o Singular Nom|inativo| Deos, a Deos, de Deos,

Roma a Roma de Roma.

N|umer|o Singular Nom|inativo| Nicolaô a Nicolaô, de Nicolaô,

Lisboa, a Lisboa, de Lisboa.

O Verbo hé o que complecta, o que enche, e o que determina a Oraçaó; porque nenhúa Oraçaó Sem verbo, Sepode chamar Oraçaó, nem expressar nenhuá Couza, nem escrever periodo, que tenha hum Sentido terminado, e (fl. 17v) Complecto. Com o verbo se ajunta sempre huá das tres pessoas. Eu, Tu, Elle, ou ella no singular; e no plural Nos, Vos, ellez, ou ellas; porque o verbo tambem tem douz numeros, Singular, e plural; tem o verbo tres tempos principais, que Saó o tempo prezente, o preterito, e o fucturo. Os outros partecipaó destes tres.

Tem o verbo Sinco modos: a Saber indicativo, imperativo, optativo, Conjunctivo, e infinito. Conjugar o verbo naó hé mais, que de verificallo em todos os Seus tempos e pessoas de todas as Sortes, que elle pode correptamente de vereficarse. Ha verbos de diversas naturezas. Ha o verbo activo, que asigna huá acçaó meramente activa: Como V|erbi| g|ratia| Eu amo, eu ensino, eu Leyo, eu ouço e&rª |etc|.

Hâ o verbo passivo, que manifesta, e aSigna huá Certa payxaó: como V|erbi| g|ratia| Eu Sou amado, eu Sou ensinado, eu Sou Lido, eu Sou ouvido. O verbo Neutro mostra huá acçaó indeterminada: como V|erbi| g|ratia| Eu Sou, Eu estou e&rª. O Verbo Reciproco partecipa da natureza de todos os verboz; como V|erbi| g|ratia| Lembarse, ou terse Lembrado. Para bem Conjugar todos os verbos, he percizo conjugar prim|ei|ro o verbo auxiliar, Ser ou estar, que Se conjuga na forma Seguinte.

Indicativo tempo prez|en|te |37|

Eu sou, ou Estou

Elle he, ou estâ

Pl|ural| Nos somos, ou Estamos

Vos Sois, ou estais

Elles Saó, ou estam.

(fl. 18) Pret|erito| Imperf|eito|

Eu era, ou estava

Tu eras, ou estavas

Elle era, ou estava

Pl|ural| Nos eramos, ou estavamos

Vos ereis, ou estaveiz

Ellez eraó, ou estavaó.

Pret|erito| Perf|eito |

Eu fui, ou estive

Tu foste, ou estiveste

Elle foi, ou esteve

PL|ural| Nos fomos, ou estivemos

Vos fostes, ou estivestes

Ellez foraó, ou estiveraó

Pret|erito| mais que perf|eito| .

Eu fora, ou estivera

Tu foras, ou estiveras

Elle fora, ou estivera.

PL|ural| Nos foramos, ou estiveramos

Vos foreis, ou estivereis

Ellez foraó, ou estiveraó

Fut|uro| imperf|eito|

Eu serei, ou estarey

Tu serâs, ou estarâs

Elle Serâ, ou estarâ

Pl|ural| Nos Seremos, ou estaremos

Vos Sereis, ou estareis

Ellez Seraó, ou estaraó

Fut|uro| Perf|erfeito|

Jâ eu entaó Serei, ou estarei

Ja tu entaó Seras, ou estaras

Ja elle entaó Serâ, ou estarâ

PL|ural| Já nos entaó Seremos, ou estaremoz

Ja vós entaó Sereis, ou estareis

Ja elles entaó Seraó, ou estaraó

Temp|o| prez|ente| do Imper|ativo|

Seja elle, ou esteja

PL|ural| Sejamos nos, ou estejamos

Sede vós, ou estejaes

Sejam elles, ou estejam

Fut|uro| do Imper|ativo|

Serás tu, ou estarás

Serâ elle, ou estarâ

PL|ural| Seremos nos, ou estaremos

Sereis vos, ou estareis

Seram elles, ou estaraó

Temp|o| pres|ente| e imperf|eito| do Opt|ativo|

Oxalâ fora eu, ou fosse,

estivera, ou estivesse Foraz

(fl. 18v ) Foras tu, ou fosses estiveras, ou estivesses

fora elle, ou fosse, estivera, ou estivesse.

PL|ural| Foramos nos, ou fossemos estiveramos, ou estivessem

Foreis vos, ou fosseis estivereis, ou estivesseis

Foraó elles, ou fossem esti veraó, ou estivessem.

Pret|erito| perf|eito|

Queira Deus; que fosse eu, ou estivesse

Que fosses tu, ou estivesses

Que fosse elle, ou estivesse

PL|ural| Que fossemos nos, ou estivessemos

Que fosseis vos, ou estivesseis

Que fossem elles, ou estivessem.

Pret|erito| mais que perf|eito|

Provera a Deos que fora eu, ou estivera

Que foras tu, ou estiveras

Que fora elle ou estivera.

PL|ural| Que foramos nos, ou estiveramos

Que foreis vos, ou estivereis

Que foram elles ou estiveraó

Praza a Deus que Seja eu, ou esteja

Que Sejas tu, ou estejas,

Que Seja elle, ou esteja

PL|ural| Que Sejamos nos, ou estejamoz

Que Sejais vos, ou este

Que Sejaó elles, ou estejam.

Temp|o| prez|ente| do Conjunt|ivo|

Como eu sou, ou sendo eu

Como tu es, ou Sendo tu

Como elle he, ou Sendo elle

PL|ural| Como nós Somos, ou Sendo nos

Como vos Sois, ou sendo Vos

Como elles Saó, ou Sendo elles.

Pret|erito| imperf|eito|

Como eu era, ou sendo eu

Como tu eras, ou sendo tu

Como elle era, ou Sendo elle

PL|ural| Como nos eramos, ou Sendo nos

Como vos ereis, ou sendo vos

Como elles eraó, ou Sendo elles

(fl. 19) Como eu fui, ou sendo eu

Como tu foste, ou sendo tu

Como ellefoi, ou sendo elle.

PL|ural| Como nos fomos, ou Sendo nos

Como vos fostes, ou Sendo vos

Como eeles foraó, ou Sendo elles

Pret|erito| mais que perf|eito|

Como eufora, ou sendo eu

Como tuforas, ou sendo tu

Como elle fora, ou sendo elle

PL|ural| Como mos foramos, ou sendo nos

Como vos foreis, ou sendo vos

Como elles foraó, ou sendo elle

Como eu for, ou sendo eu

Como tu fores, ou sendo tu

Como elle for, ou sendo elle

PL|ural| Como nos formos, ou sendo nos

Como vos fordes, ou Sendo vos

Como elles forem, ou sendo elles

Mod|o| Prez|ente| do infin|ito|

Ser, o que sou, es, he

PL|ural|.Somos, Sois, Sam

Pret|erito| imperf|eito|

Ser o que era, eras, era

PL|ural| Eramos, ereis, eraó.

Pret|erito| perf|eito|

Que fui, fostes, foi

PL|ural| Fomos fosteis foram

Pret|erito| mais que perf|eito|

Que fora, foras, fora

PL|ural| foramos, foreis, foram

Que hei, has, hade Ser, ou

que Serei, Serâs, Serâ

PL|ural| O que havemos, haveis haóde

Ser, o que Seremos, Sereis Seraó

Partecip|io| do Fut|uro|

O que ha, ou houver de Ser

Todos os Infinitos dos verbos da nossa Língoa Portugueza aCabam em-ár, ou em-ér. Para conhecer o infinito dos Verbos, basta este exemplo: V|erbi| g|ratia|. Eu devo: a voz, que Se chegue hadeSer infinitivo do berbo |39| : como V|erbi| g|ratia| devo advertir, devo imaginar, devo Conhecer, devo amar, devo Lér, devo estudar e&rª Este advertir, este conhecer, este imaginar, este Ler, este estudar, este amar, Saó infinitos, que a voz = devo = e assim Se deve entender nas mais Vozez ou verboz.

(fl. 19v ) Exemplo dos verbos em ár

Mod|o| Indic|ativo| do temp|o| prez|ente |

Eu amo, tú amas, elle ama,

PL|ural| Nos amamos, vos amais, Elles amaó

Preterito imperfeito

Eu amava, tu amavas, elle amava

PL|ural| Nos amavamos, Vos amaveiz, elles amavaó.

Pret|erito| perf|eito|

Eu amey, ou tenho amado tu

amastes, ou tens amado, elle

amou, ou tem amado.

PL|ural|Nos amamos, ou temos amado,

Vos amasteis, ou tendes amado

elles amaraó, ou tem amado.

Pret|erito| mais que perf|eito|

Eu amara, ou tinha amado

Tu amaras, ou tinhas amado

Elle amara, ou tinha amado.

PL|ural|Nos amaramos, ou tinhamos amado

Vos amareis, ou tinheiz amado

Ellez amaraó, ou tinhaó amado

Fut|uro| imperf|eito|

Eu amarey, tu amarás, elle amarâ.

PL|ural|Nos amaremos, Vos amareiz, elles amaraó

Fut|uro| perf|eito|

Ja eu entaó terey amado,

ja tu entaó terâs amado,

ja elle entaó terâ amado

PL|ural|Ja nos entaó teremos amado

Ja Vos entaó tereis amado

Ja elles entaó teraó amado.

Temp|o| prez|ente| do Imper|ativo|.

Amas tu, ame elle

PL|ural|Amemos noz, amay voz amem elles.

Fut|uro| do Imper|ativo|

Amaras tu, amarâ elle

PL|ural|Amareis vos, amaraó ellez

Temp|o| prez|ente| do Opt|ativo|

Oxala amara eu, ou amasse

amaras tu, ou amasses

amara elle, ou amasse

PL|ural|Amaramos nos, ou amassemoz

amareis vos, ou amasseis

Amaraó ellez, ou amassem.

(fl. 20) Pret|erito| perf|eito|

Queira Deus que tenha eu amado, ou amasse eu

Que tenhas tu amado, ou amasses tu

Que tenha elle amado, ou amasse elle

PL|ural|Que tenhamos nos amado, ou amassemos nos

Que tenhaes vos amado, ou amasseis vos

Que tenhaó elles amado, ou amassem elles

Pret|erito| mais que perf|eito|

Provera a Deus que amara eu, ou tivera amado.

Que amaras tu, ou tiveras amado

Que amara elle, ou tivera amado

PL|ural|Que amaramos nos, ou tiveramos amado

Que amareis vos, ou tivereis amado

Que amaraó ellez, ou tiveraó amado

Praza a Deos que ame eu

PL|ural|Que amemos nos

Temp|o| prez|ente| do Conjunct|ivo|

Como eu amo, ou amando eu

Como tu amas, ou amando tu

Com elle ama, ou amando elle.

PL|ural|Como nos amamos, ou amando nos

Como elles amaó |41| .

Pret|erito| imper|feito|

Como eu amava, ou amando eu

Como elle amava.

PL|ural| Como nos amavamos

Como vos amaveis

Como elles amavaó

Pret|erito| perf|eito|

Como eu amei, ou amando eu

PL|ural| Como nos amamos

Como vos amastes

Como elles amaraó.

Pret|erito| mais que perf|eito|

Como eu amara, ou tinha amado

Como elle amara.

PL|ural| Como nos amaremoz

(fl. 20v)Como nos amaramos

Como vos amareis

Como elles amaraó

Como eu amar, ou tiver amado

PL|ural| Como nos amarmos, ou tivermos amado

Como vos amardes

Como elles amarem.

Temp|o| prez|ente| do Infin|ito|

Amar, o que amo, amas, ama.

PL|ural| Amamos, amais, amaó

Pret|erito| imperf|eito|

Amar, ou que amavam amavas, amava.

PL|ural| Amavamos, amaveis, amavaó.

Pret|erito| perf|eito|

Ter amado, ou que amey, amaste, amou

PL|ural| Amamos, amastes amaraó

Pret|erito| mais que perf|eito|

Ter amado, ô que amara amaras amara

PL|ural| Amaramos, amareis, amaraó

Que hey, has, ha de amar, ou

que amarey, amaras, amarâ

PL|ural| Que havemos, haveis, haó de amar,

ou que amaremos, amareis, amaraó

De amar, em amar, de amar

amando, e Sendo amado.

Amar para amar: a ser p|ar|a Ser amado.

De ser amado para se amar

O que ama, e amava,

O que hâ, ou houver de amar.

Exemplo dos verbos, que tem o infinito em ér.

Prez|ente| do Indic|ativo|

Eu Leyo, tu Les, elle Lê

PL|ural| Nos Lemos, vos Ledes, elles Lêm

Em todos os mais tempos Seguem a Conjugaçaó dos verbos em ár; e só devereficaó |42| no tempo prezente do modo do Infinito, e em todos os tempos delle |43| .

(fl. 21) Modo Infin|ito|

Tempo prez|ente |

Ler, ou que Leyo, Les, Lê

PL|ural| Lemos, Ledes Lem

Pret|erito| imperf|eito|

Ler, ou que Lia, Lias, Lia.

PL|ural| Liamos, Lieis, Liaó.

E assim Se vay seguindo até o fim a Conjugaçaó.

E sim sesegue até o fim a conjugaçaó.

Exemplo dos verbos em ir no modo infinito, que Só neste de verseficaó a conjugaçaó.

Temp|o| prez|ente| do Indicat|ivo|

Eu ouço, tu ouves, elle ouve.

PL|ural| Nos ouvimos, vos ouvîs, elles ouvem.

Em todos os mais tempos Seguem a conjugaçaó dos Verbos acima, menos no Prezente do infin|Ito|, e em todoz os mais tempos do mesmo modo infinito

Temp|o| prez|ente| do Infin|ito|

Ouvir, ou que ouço, ouves, ouve

PL|ural| Ouvimos, ouvîr, ouvem.

Pret|erito| imperf|eito|

Ouvir, ou que ouvia, ouvias ouvia

PL|ural| Ouviamos, ouvieis, ouviaó

EaSsim sesegue até ofim a conjugação

Nesta forma seconjugaó todos os verbos pessoaes activos. Chamaó-se pessoaes, porque tem todas as pessoas assim no SinguLar, como no plural

Há verbos impeSsoaes activos, e passivos, chamaó-Se impessoaes porque naó tem mais que a terceira pessoa do numero Singular

Exemplo de hú verbo Impessoal activo

Temp|o| prez|ente| do Indi|cativo|

Pezame a mim, Pezate a ti, Pezalhe a elle.

PL|ural| Pezanos anos, pezavos avos Pezaó-lhes aelles

Pret|erito| imperf|eito|

Pezavame amim, Pezavate ati Pezavalhe a elle.

PL|ural| Pezavanos anos, Pezavavos avos, Pezavaó lhes aelles

(fl. 21v) Pret|erito| perf|eito|.

Pezoume amim e&rª

Pret|erito| mais que perf|eito|

Pezarame amim e&rª

Fut|uro| imperf|eito|

Ja entaó meterâ pezado

Temp|o| prez|ente| do Imper|artivo|

Pezeme amim e&rª |etc|

Temp|o| prez|ente| do opt|ativo| e imperf|eito|

Oxala mepezara amim ou pezasse e&rª |etc|

Pret|erito| perf|eito| .

Queira a Deos que mepeze amim e&rª |etc|

Pret|erito| mais que perf|eito|

Provera a Deos, que mepezara, ou metivera pezado e&rª |etc|

Praza a Deus que mePeze e&rª

Temp|o| prez|ente| do Conjunct|ivo |

Como amim mepezara e&rª |etc|

Pret|erito| imperf|eito|

Como amim mepezava e&rª |etc|

Pret|erito| perf|eito|

Como amim me pezou e&rª |etc|

Pret|erito| mais que perf|eito|

Como amim mepezava, ou tivera pezado e&rª |etc|

Como mepezar, ou tiver pezado

Temp|o| prez|ente| do Infin|ito|

Que me peze amim

Pret|erito| imperf|eito|

Que mepezava amim

Pret|erito| perf|eito|

Pret|erito| mais que perf|eito|

Que mepezara, ou tiverapezado

Que me hadepezar.

Que mehouvera depezar.

Depezar, empezar, pezando e tendo pezado

Apezar para pezar, aSer paraser pezado

O quepeza, e pezava

(fl. 22) ExempLo de hum verbo impessoal, defectivo, passivo, e da sua Conjugaçaó

Temp|o| prez|ente| do Indicat|ivo|

Pret|erito| imperf|eito|

Pret|erito| perf|eito|

Pret|erito| mais q|ue| perf|eito|

Fut|uro| imperf|eito|

Fut|uro| perf|eito|

Já entaó Se terâ peléjado

Temp|o| prez|ente| do Imper|ativo|

Temp|o| prez|ente| do Opt|ativo|

Oxalâ peléjara eu, ou pelejase

Pret|erito| perf|eito|

Queira Deus, que tenha eupelejado.

Pret|erito| mais q|ue| perf|eito|

Provera a Deus que pelejara eu, ou tivesse pelejado.

Praza a Deus que peléje eu

Temp|o| prez|ente| do Conjunct|ivo |

Como eupeléjo ou tenho pelejado.

Pret|erito| imperf|eito|

Como eupelejava, ou peléjando eu

Pret|erito| perf|eito|

Como eupelejei, ou tenho pelejado

Pret|erito| mais q|ue| perf|eito|

Como eupelejara, ou tivera pelejado

Como eu pelejar, ou tiver peléjado

Temp|o| prez|ente| do infin|ito|, e imperf|eito|

Ter peléjar, ou que pelejo

Pret|erito| mais q|ue| perf|eito|

Ter peléjado, ou que peléjara, peLejaras, pelejara

Que hei, has, hade pelejar

Exemplo do verbo pessoal passivo, e sua Conjugaçaó do tempo prezente. Eu Sou amado, Tu es amado, elle |46| PL|ural| Nos Somos amados, vos Sois amadoz, Ellez Saó amados

fl. 22v ) Pret|erito| imperf|eito|

Eu era amado, tu eras amado Elle era amado

PL|ural| Nos eramos amados, vos ereiz amados, elles eraó amados

Pret|erito| perf|eito|

Eu fui amado, tu foste amado elle foi amado

PL|ural| Nos fomos amados, vos fostes amados, elles foraó amados.

Pret|erito| mais que perf|eito|

Ja eu entaó era, ou fora amado

Ja tu entaó eras, ou foras amado

Ja elle entaó era, ou fora amado.

PL|ural| Ja nos entaó eramos, ou foramos amados;

Jâ vos entaó ereis, ou foreis amados

Jâ ellez entaó eraó, ou foraó amados

Fut|uro| imperf|eito| .

Elle Serâ amado

PL|ural| Nos Seremos amados

Vos Sereis amados

Ellez Seraó amados.

Fut|uro| perf|eito|

Jâ eu entaó Serey amado.

Já tu entaó Seras amado

Ja elle entaó Serâ amado

PL|ural| Ja nos entaó Seremos amados

Jâ vos entaó Sereis amados

Jâ ellez entaó Seraó amados.

Temp|o| prez|ente| do Imper|ativo|

Sê tu amado, Seja elle amado

PL|ural| Sejamos nos amados, Sejais Vos amados, Sejam ellez amados.

Futro| do Imperat|ivo|

Seras tu amado, Serâ elle amado

PL|ural| Sereis vos amados, Seraó elles amados.

Temp|o| prez|ente| do Opt|ativo|

Oxala fora eu, ou fosse amado

fora elle amado

PL|ural| Foramos nos, ou fossemoz amados.

foreis vos amados

foraó elles amados.

Pret|erito| perf|eito|

Queira Deos que fosse eu amado

Que fosses tu amado

Que fosse elle amado

PL|ural| Que fossemos nos amados

Que fosseis vos amados

Que fossem ellez amadoz.

(fl. 23v) Pret|erito|. Imperf|eito|

Eu era amado, tu eras amado elle era amado

PL|ural| Nos eramos amados, vos ereiz amados, elles eraó amados

Pret|erito| perf|eito|

Eu fui amado, tu foste amado elle foi amado

PL|ural| Nos fomos amados, vos fostes amados, elles foraó amados

Pret|erito| mais que perf|eito|

Ja eu entaó era, ou fora amado

Ja tu entaó eras, ou foras amado

Ja elle entaó era, ou fora amado.

PL|ural| Ja nos entaó eramos, ou foramos amados

Jâ vos entaó ereis, ou foreis amados.

Jâ ellez entaó eraó, ou foraó amados

Fut|uro| imperf|eito|

Elle Serâ amado

PLural Nos Seremos amados

Vos Sereis amados

Ellez Seraó amados

Fut|uro| perf|eito|

Jâ eu entaó Serey amado.

Jâ tu entaó Seras amado.

Ja elle entaó Serâ amado

PLural Ja nos entaó Seremos amados

Jâ vos entaó Sereis amados

Jâ ellez entaó Seraó amados.

Temp|o| prez|ente| do Imper|ativo|

Sê tu amado, Seja elle ama

PLural Sejamos nos amados, sejais Vos

amados, sejam ellez amados

Fut|uro| do Imperat|Ivo|

Seras tu amado, Serâ elle amado

PLural Sereis vos amados, Seraó elles amados.

Temp|o| prez|ente| do Opt|ativo|

Oxala fora eu, ou fosse amado

fora elle amado

PLural Foramos nos, ou fossemoz amados.

foreis vos amados.

foraó elles amados.

Pret|erito| perf|eito|

Queira Deos q’ fosse eu amado

Que fosses tu amado

Que fosse elle amado.

PLural Que fossemos nos amados

Que fosseis vos amados

Que fossem ellez amadoz

(fl. 24) Pret|erito| mais que perf|eito|

Provera a Deus que fora eu amado

Que foras tu amado

Que fora elle amado

PLural Que foramos nós amados

Que foreis vos amados.

Que foraó elles amados

Praza a Deus que Seja eu amado

Que Sejas tu amado

Que Seja elle amado.

PLural Que Sejamos nos amados

Que Sejais vos amados

Que Sejam elles amados

Mod|o| Prez|ente| do Conjunct|ivo|

Como eu sou amado

Como tu es amado

Como elle he amado

PLural Como nos Somos amados

Como Vos Sois amados

Como elles Saó amados

Pret|erito| imperf|eito|.

Como eu era amado

Como tu eras amado

Como elle era amado

PLural Como nos eramos amados

Como vos ereis amados

Como ellez eraó amados

Pret|erito| perf|eito|.

Como eu fui amado

Como tu foste amado

Como elle foi amado.

PLural Como nos fomos amados

Como vos fostes amados

Como elles foraó amados

Pret|erito| mais que perf|eito|

Como eu Ja era, ou fora amado

Como tu Ja eras, ou foras amado

Como elle ja era ou for amado

PLural Como nos ja eramos, ou foramoz amados

Como vos já ereis ou foreis amadoz

Como elles já eraó, ou foraó amados

Como eu for amado

Como tu fores amado

Como elle for amado

Como nos formos amados

Como vos fordes amados

Como elles forem amadoz.

Temp|o| prez|ente| do Infin|ito|

Ser amado, ou que Sou, es, he, amado

PLural Somos Sois, Sam amados.

Pret|erito| imperf|eito|

Ser amado, ou que era, eras, era amado

PLural Eramos, ereis, eraó amados

Pret|erito| perf|eito|

(fl. 24v) Que fui, foste, foi amado

PLural Que fomos fostes, foraó amados

Pret|erito| mais que perf|eito |

Que era, ou fora

Que eras, ou foras

Que era, ou fora amado

PLural Que eramos, ou foramos

Que ereis, ou foreis

Que eraó, ou foram amados

Que hey, has, hade ser amado

Ou qie serey, seras, Serâ amado

PLural Que havemos, haveis, haó deSer, amados,

ou que Seremos Sereis, Seraó amados

Que houvera houveras, houvera de ser amado

PLural Que houveramos, houvereis, houveraó de Ser amados.

Couza amada. Couza

que hâ, ou houver deser amado.

Hé percizo advertir, que o verbo passivo Sempre se ajunta em todos os modos tempos e pessoas. O verbo auxiliar Sou, era, Fui, fora Serey e&rª |etc|. Como V|erbi| g|ratia| no prezente do Indicat|ivo|. Eu Sou amado. No mais que perfeito fora amado. No Futuro Serey amado e&rª |etc|. Esta Conjugaçaó Seguem todos os mais verbos pessoaes passivos, q|ue| Saó Verbos integraes: Digo integraês, porque há muitos verbos defectivos, e Anomalos, q|ue| Com o uzo, e prudente applicaçaó dos Mestres Se aprendem.

Sam os verbos deffectivos os Seguintes = Querer, Naó querer, mais querer, hir Lembrar, conhecer, Aborrecer, e Comessar; Cujos verbos, devemos M|estr|es tambem enSinar a Conjugar aos Seuz discîpulos, quando lhesforem ensinando a Ler as cartas. Na Certeza que a falta da decLinaçaó dos Nomes, e da Conjugaçaó dos Verbos, e de naó darem aos meninos nas Eschólas, ao menos esta Leve tintura de Gramatica Por- (fl. 25) tugueza, he a origem dos barbarismos, queSenottaó nas Conversaçoés eSedevizam na escripta.

Hé moralmente impossivel saber bem a Orthografrîa |50| ignorando os primeiros principios da Lingoa em queSeescreve.

Os primeyros principios da Lingoa, Saó as deCLinaçoens dos nomes, e as conjugaçoés dos Verbos e hé couza bem Lamentavel, que para aprendermos a Lingoa Latina, a lingoa Franceza, ou Italiana, que Saó hoje as mais vulgares, principiemos decLinando nomes, e Conjugando Verbos; e que os naó Saybam os mais dos homens fazer na Portugueza; sendo a materia, que devemos estudar com todo o disvello para a podermos fallar Com perfeiçaó.

As decLinaçoés dos nomes Saó faceiz Como Semostra dos exemplos, que dey para norma.

As conjugaçoés dos Verbos tem maiz dificuldade; mas Saó de huá necessidade abSoLuta. Quando hum Sujeito estâ inteyramente Senhor da Variedade das Silabas, e da diversidade de todos os tempos doz Verbos; tem vencido huá grande parte da Orthografîa; porque naó pode escrever com erros nas dicçoés, que o nam tem na pronuncia das Silabas. Julgo o melhor, e mais facil modo de bem Saber Lêr, e escrever a nossa Lingoa, vzar deste methodo nas Eschólaz; porque o primeiro Leyte familiarizasse |51| com os individuos, e hé muito natural, que Só Leve a Tumba aquiLo que deycha o berço: Rezaó porque em todas as Nasçoenz Cultas. (fl. 25v) Seestâ hoje ensinando a Ler, ainda debaicho de preceytos mais asperos que estes, que aConcelho aos Mestres, que a falta de uzo delles lhos farâ parecer embaraçados, quando naó tem nada de Confuzos. Devem os Mestres ensinar como Regra geral aos Seus Discipûlos, que as terceyras pessoas dos verbos no plural acabaó em – am, ou em -em: como Verbi gratia. a maó ensinaó, Levam, vzaó, trazem, Lembraó, Lavam, estudam e&rª. Em -em: como Verbi gratia Lem, ouvem, querem, dizem, conhecem, aborrecem e&rª |etc|. Que a falta desta RefLexaó, faz cahir em muitos erros assim na pronûncia, como na escripta.

Tambem lhes ensinaraó, que a mayor parte dos verbos do modo infinito acabam em -ar, ou em -er: como Verbi| gratia amar, ensinar, derrotar, Confiscar, bramar, uzar, Começar, idolatrar e&rª ou em -er: como Verbi gratia Ler, querer, aborrecer, Conhecer, estremecer e&rª |etc|. Tambem acabam muitos verbos no infinitivo em -ir: Como V|erbi| g|ratia| Ouvir, esgremir, confundir, inquirir, prezumir e&rª |etc|. E persuadaó-se os Mestres, que no cuidado de bem conjugar os verbos, e decLinar os nomes, conSiste a perfeiçaó de bem fallar, e bem escrever.

Tambem daraó aos meninos esta Regra Certa para os nomes, assim Substanctivos, como adjectivos, masculinos, ou femeninos, que todos os nomez do pLural Seformaó do Singular, sem mais trabalho q|ue| ajuntar lhe hum S. como V|erbi| g|ratia|. Anjo, hé Singular, Anjos hé plural. Muza Singular, acrescentandolhe hum S fica Muzas plural.

(fl. 26) Os adjectivos femininos se formaó dos masculinoz Sem mais trabalho, que mudar o -o do masculino, em -a, para o feminino: Como Verbi gratia.unido masculino; unida feminino; e assim nos mais, que com o uso Se aprenderaó.

PadeceSe hum grande engano na escripta Com o uzo dos accentos, para o que darey alguás percauçoenz para os erros naó Serem taó Crassos. Devesse advertir, que os accentos Saó tres, agudo, grave, e Circumflexo. O accento agudo fere, ou faz que firamos a voz, ou a Silaba em que carrega com huá pronuncia inteyramente Longa: como V|erbi| g|ratia| Sobéca, e Charnéca e&rª. O accento grave abaixa a voz, fas que a pronunciemos com hum Som maiz brando, e sepoêm Sobre a propoziçaó à: como Verbi gratia à Joaó à Pedro, à Lisboa, à Pariz. O accento Circumflexo, naó fere, naó Levanta, nem abaixa à voz, e Sepoêm Sobre o ê: como verbi gratia Lamêgo.

Tambem devemos uzar do Apostrofe, que tem osseu |52| Lugar na prepoziçaó de, e nas adjecçoens Silabicas me, te, Se, e&rª Quando addicçaó, que Se lhes Segue principia por Vogal: Verbi gratia. d’Almeyda, d’Almada d’Olanda. e&rª. Na adjecçaó m’obriga, m’honra, m’afflige e&rª. T’affLige, t’apressa, t’inspira e&rª.

Vzo das Letras Capitaes, ou Letras grandez

Devesse |53| escrever com Letra Capital Deos, Jesus, Christo. To (fl. 26v)

Todos os nomes proprîos prîncipiaó por Letra capital: Verbi gratia. Pedro, Joaó, Manoel, e&rª Maria, Antonia, Thereza, Raymunda.

Principiaó por Letras Capitaés os nomes de dignidades: como Verbi gratia Bispo; Governador, Coronel, Brigadeiro, Sargento Mor Capitam e&rª

Tambem principiaó por Letra Capital os nomes de Reynos, Cidades, Villas, Portugal, Castella, França, Napoles Sardenha e&rª |etc|. Lisboa, Coîmbra, Porto, Braga, Miranda e&rª. Estremoz, Borba, Almada, Mafra, Recife e &rª |etc|.

Tambem os nomes de Artes; Pintor, Ourivez, Selleyro, Çapateiro e&rª |etc|.

Toda a escripta, e todo o discurso de qualquer qualid|ad|e; queSeja principia sempre por Letra Capital, depois de ponto sedeve Seguir Sempre Letra Capital. Todo o Parrafo |54| principia por Letra Capital. Todos os Versos principiaó na mesma forma para SeLer com perfeiçaó e Sentido, Sedeve guardar as virgulas, os pontos de interrogaçaó, de admiraçaó, observandosse |55| estas breves advertencias. Faraó os Mestrez Serviço a Deos, e ao pubLico, que hé aquillo, a que todos devemoz (fl. 27) aspirar, os que quizermos viver como homens, e Como Catholicos, de que nos devemoz prezar como Racionaez”.

|1| Professora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Católica do Salvador – UCSal, Professora Emérita da Universidade Federal da Bahia.

|2| O til está delineado como apóstrofe.

|3| Existe um exemplar no IEB – Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Calígrafo, Figueiredo nasceu. Entre 1665 ou 1670, no Espírito Santo. Era filho do Governador daquela Capitania, Antônio Mendes de Figueiredo e de dona Maria Coelho. Faleceu em Lisboa a 4 de julho de 1735. Existe um outro exemplar no Caraça, em Minas Gerais.

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